Informações para a família

Perguntas Frequentes

Retire suas dúvidas

Para os casos de internação voluntária, a estimativa é de que o tratamento dure 12 meses, sendo 4 meses de internação em nossa unidade da Clínica em Mairiporã e o restante do tratamento será feito em atendimento ambulatorial (em São Paulo, na capital na região do Tatuapé) com sessões semanais em grupo para manutenção da abstinência.

Todavia, esta é apenas uma estimativa de tempo, tudo depende sempre de cada caso e da avaliação dos nossos profissionais.

Importante ressaltar que o tratamento é desempenhado por profissionais especializados (terapeutas, monitores, psicólogos, médicos clínicos e psiquiatras, terapeuta ocupacional, enfermeiros, nutricionista), todos voltados para o bem estar e recuperação do paciente.

A melhor forma é ser sincero e ter uma conversa franca sobre o uso de drogas. Uma conversa que seja objetiva, sem acusações ou julgamentos, informando que existe uma possibilidade de recuperação, através do tratamento – ainda que o dependente químico não consiga ver solução. Muitas vezes, tanto a família quanto o paciente perdem a esperança de recuperação, não conseguem enxergar perspectivas. Frequentemente o desespero já tomou conta de sua vida e a família não consegue nem mais ter diálogo com aquele familiar que está no abismo das drogas.

Se necessário, busque ajuda de profissionais para lhe apoiar neste tipo de abordagem ou para fazer algum tipo de intervenção. A Clínica Grand House dispõe de especialistas que podem lhe orientar a respeito deste tipo de procedimento.

Acredita-se que o sucesso no tratamento de dependência química baseia-se na aceitação do adicto em procurar ajuda. Nem sempre isto acontece. A própria família, em muitos casos, reluta em admitir que seu ente querido tornou-se dependente de drogas.

É quando os familiares percebem que o único caminho a seguir é o encaminhamento para um processo especializado de recuperação - e é aí que começa uma nova batalha: quando o adicto se recusa a receber ajuda.

Existe a possibilidade da internação involuntária e ela somente pode ser realizada mediante alguns aspectos. O primeiro é a comprovação de que o vício está de fato afetando as condições psíquicas de tomada de decisão pelo dependente. Ele já não consegue escolher parar de usar drogas, não consegue imaginar sua vida sem as drogas, perdeu a capacidade de decisão e de pedir ajuda. Não quer realmente parar de utilizar drogas e é possível até que diga que “quer morrer usando drogas”. O segundo é que somente um membro cosanguíneo do dependente pode solicitar a internação involuntária (por exemplo: a mãe, pai, irmãos) – uma companheira, namorada ou esposa já não poderia solicitar este tipo de internação, segundo o que está determinado pela lei.

A internação involuntária deve ser feita por uma equipe especializada e começa no delicado trabalho de remoção do paciente. É recomendável que a família esteja ciente e em concordância com as práticas da clínica, em especial no que tange à segurança e integridade física e mental do paciente. Na ocorrência da remoção do paciente para a clínica, o trabalho em algumas situações precisa ser realizado com a presença de psiquiatra e uma equipe treinada para realizar o procedimento com total discrição de modo a preservar a integridade física e moral do paciente.

O tratamento involuntário pode levar mais tempo do que a internação voluntária. Isso porque será necessário um tempo de trabalho de conscientização de que é preciso interromper o uso de drogas e iniciar uma reeducação física e mental para a libertação do vício. Um tratamento só tem efeito sobre um paciente quando há aderência. E, certamente, adesão é muito diferente de desejo. O simples desejo do paciente em se tratar ou não, não tem o poder de interferir na efetividade do tratamento existente para qualquer enfermidade. Portanto, mesmo os pacientes involuntários acabam, após um certo tempo, aderindo ao tratamento e reconhecendo que “foi a melhor coisa que poderia ter acontecido em sua vida”, pois sem este tipo de intervenção não teriam tido condições de recuperação.

A orientação da família também se faz necessário, seja qual for o tipo de tratamento.

A primeira etapa para o tratamento da dependência química é a abstinência total de qualquer droga. Invariavelmente, os primeiros dias sem a droga são difíceis, pois o corpo e a mente do dependente demandam a substância e podem ocorrer sintomas da síndrome de abstinência desagradáveis, dependendo de cada caso.

Há pacientes que passam tranquilos pela fase inicial de desintoxicação, por outro lado existem pacientes que sofrem alguns dos sintomas mais desagradáveis e necessitam de intervenção médica. Tudo depende da situação geral clínica e mental do paciente.

A família não deve acreditar que a crise de abstinência que o dependente poderá ter é insuportável, pois não é - ela passa rapidamente. Os sintomas de crise de abstinência real e física têm curta duração: em média dentro de 5 a 10 dias o corpo já se esqueceu e já eliminou qualquer vestígio de droga.

Qualquer sintoma de abstinência depois do 10° dia de abstinência total são de natureza psicológica ou sintoma de algum distúrbio físico ou mental desenvolvido durante o uso da droga e não percebido durante a ativa.

Na primeira semana de abstinência o médico psiquiatra poderá avaliar a necessidade de entrar com alguma medicação adequada para o caso para que os sintomas mais desagradáveis de abstinência sejam minimizados. A medicação apenas evita que um quadro grave não se desenvolva e retira os sintomas mais desconfortáveis.

Entretanto, o paciente deverá entender que a medicação é somente um “suporte” para os primeiros tempos, e não o tratamento em si (o processo de desintoxicação é apenas a primeira etapa para o tratamento) e tampouco deve esperar que o remédio possa resolver todos os seus problemas. 
Outro ponto importante, é que desde o primeiro dia de tratamento, o paciente deve estar consciente de que precisará de tratamento não-medicamentoso pelo resto de sua vida, se desejar a recuperação. Já durante a internação o paciente será introduzido nos 12 passos/ grupos de mútua-ajuda (como os AA - Alcóolicos Anônimos e os NA- Narcóticos Anônimos). Após a internação ele deverá continuar frequentando os grupos - não importa como o paciente deseja fazer seu tratamento, a terapia em grupo é fundamental.

Vencido o período mais difícil de abstinência inicial, durante o tratamento o paciente provavelmente já estará sem medicação (a não ser que algum quadro psiquiátrico se desenvolva que necessite de medicação não indutora de dependência) e deverá remontar aos poucos sua vida sem a droga - o que reaprenderá a fazer durante o processo do tratamento e nas sessões de psicoterapia.
Os familiares ou pessoas que convivem em intimidade com dependente também necessitarão de orientação e tratamento específico para que não induzam o familiar à recaída e para que também aprendam a lidar com a sua co-dependência.

A Síndrome de abstinência é o conjunto de modificações orgânicas que se dão em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica, como o álcool, a cocaína, o crack, a maconha, o ópio, a morfina – entre muitas outras.

Os sintomas podem envolver desde o sofrimento mental até o sofrimento e mal estar físico. Alguns dos sintomas mais comuns são: disforia (mudança repentina e transitória do estado de ânimo), insônia, ansiedade, irritabilidade, náusea, agitação, taquircadia, oscilação da pressão arterial (alta ou baixa), sudorese (suor aumentado), cefaléia (dor de cabeça), dores musculares, câimbras, tremores, fadiga, febre, vômitos, falta de apetite, alucinações.

É muito importante, para seu correto tratamento, a identificação inicial do tipo de droga usada pois as complicações diferem de acordo com cada substância.

A crise de abstinência do álcool tem geralmente início a partir de 72h de interrupção e pode causar tremor e em alguns casos até convulsões, sendo mais severa em pacientes com episódios prévios. Pode apresentar sintomas específicos como distúrbios táteis e visuais.

No caso da síndrome de abstinência de opióides, o início do quadro depende da meia vida da droga. Apresenta-se de forma semelhante a uma gripe severa, com dilatação das pupilas, lacrimejamento, rinorréia, bocejos, espirros, anorexia, nâuseas, vômitos e diarréia. Não causa convulsões nem delírios.
As drogas estimulantes como a cocaína e as anfetaminas apresentam como sintomas de abstinência: o sono, aumento do apetite, distúrbios motores, sintomas depressivos, desilusões, pensamentos paranóicos e comportamentos compulsivos. Entretanto, os sintomas de abstinência podem ser confundidos porque a dependência de álcool usualmente está associada ao uso de outras drogas.

A síndrome de abstinência pode ser aguda ou demorada (tardia) . A síndrome aguda corresponde aos sintomas físicos, psicológicos e sociais provocados pela falta da droga, que ocorrem de 3 a 10 dias após o último uso. A síndroma demorada(ou tardia) corresponde aos sintomas baseados na sobriedade que ocorrem a partir de meses ou anos após o uso final da droga. Os sintomas, que estão ligados aos danos causados ao cérebro, apresentam-se durante a sobriedade e podem ser descritos como mente confusa, problema de memória, reação emocional exagerada ou apatia, distúrbios ou alterações do sono, diarréia, náuseas, problemas de coordenação motora, 
sensibilidade ao stress. A síndrome de abstinência demorada (ou tardia) pode ocasionar recaída com freqüência, porém seus sintomas são reversíveis se houver tratamento adequado. Para isto o dependente terá que fazer a manutenção do seu tratamento para o resto da vida para que saiba lidar com situações de riscos e contorná-las sem que recaia no uso da droga.

Durante o período da internação, primeiramente, trabalhamos o processo de desintoxicação.

Com o decorrer do tempo, o foco volta-se para o conhecimento a respeito da doença e das ferramentas necessárias para lidar com ela.

Há um profundo processo de promoção da autoestima, de reaprendizagem e desenvolvimento de relações interpessoais, o entendimento e a aceitação da doença da família e, finalmente, técnicas de prevenção à recaída. É feito um trabalho gradual de retorno à sociedade no final do tratamento, para que o paciente perceba as dificuldades da nova vida que está para começar e as trabalhe ainda em um ambiente de proteção.

O papel da família no tratamento do usuário de substâncias psicoativas é muito importante. Há evidências de que o adequado relacionamento com a família constitui um dos principais fatores na prevenção de recaídas.

Recomenda-se que os familiares frequentem o profissional de saúde especializado no tratamento das dependências químicas, mesmo que em um primeiro momento o próprio usuário não queira se envolver em tratamento.

Os familiares realmente precisam de orientação, pois na grande parte das vezes eles conhecem os problemas advindos do uso inadequado das drogas, mas não conhecem as formas mais adequadas para lidar com o problema.

Muitos membros familiares do dependente infelizmente comportam-se de uma determinada maneira que, direta ou indiretamente, apoiam, facilitam ou perpetuam o uso inadequado de substâncias pelos filhos. Membros familiares que consciente ou inconscientemente recusam-se a confrontar ou, até mesmo, reconhecer o problema da dependência química apenas aumentarão os problemas futuros.

O atendimento à família é realizado por psicólogos e terapeutas (especialistas em dependência química e co-dependência) que realizam orientação em sessões presenciais e também por telefone.

Com relação às diferenças, quando se tem um tratamento especializado a família traz a realidade e o dia-a-dia da dependência química, sentindo “na pele” o que realmente acontece com o dependente. Já os profissionais, por outro lado, detém o conhecimento sobre o funcionamento dessa doença. Fazendo essa combinação, a família terá o suporte técnico ideal para retomar a harmonia do lar, deixada de lado com a dependência química.

A família poderá adquirir consciência e saberá como agir com o paciente em situações de risco.

Hoje em dia são poucos os serviços especializados em dependência química.

O momento do reencontro com a família, com os amigos e com a sociedade em geral, é muito importante para o dependente químico por dois motivos. Primeiro: é a hora em que a pessoa entra em contato com o mundo novamente, onde poderá ser exposto a situações que inclusive o levaram às drogas; segundo: também significa a oportunidade de encontrar alternativas para mudar seu estilo de vida.

O paciente precisa reaprender a viver, agora sem o uso de drogas, substituindo-as por outras atividades que também possam lhe dar satisfação, mudando seu comportamento. A família também deverá aprender a focar sua vida em outras coisas que não seja a dependência química do seu familiar.

Portanto, após o período de internação, é importante que não só o paciente continue com acompanhamento de psicólogos e com os grupos de mútua ajuda (que serão fundamentais nesta fase da vida), mas que a família continue também se tratando através de grupos de mútua-ajuda (Amor Exigente, Naranon) e/ou psicoterapia individual para que a mudança de vida seja completa e as chances de manutenção da abstinência sejam mais amplas.

É importante que ele saiba que você está passando por tratamento, pois a família funciona como rede de apoio ao dependente e isso irá fortalecê-lo e ajudá-lo em seu novo projeto de vida.


No entanto, alguns usuários mantêm um grande sentimento de revolta e raiva dentro de si, fazendo com que a reação, ao saber que algum membro da família está passando por tratamento, seja ruim. Por isso é importante conversar, aos poucos, para que ele tome consciência de que é necessário fazer o tratamento também.

Quando o familiar do dependente químico desiste ou não adere ao tratamento familiar o dependente fica numa situação de grande vulnerabilidade, pois a família é o maior recurso que ele possui, já que os vínculos sociais do período do uso de substâncias deverão ser desfeitos para recomeçar o processo e estabelecer novos vínculos.

Ter a família como referência e apoio é fundamental, pois poderá ajudá-lo a lidar com os aspectos psico, sociais e espirituais da doença. Procure se colocar no lugar de uma pessoa que tem de recomeçar a vida e que tem um histórico de dependência química e encontrará um número significativo de dificuldades para serem enfrentadas como: reinserção no trabalho, família, escola, amigos, preconceitos, sociedade que estimula o uso de drogas lícitas, lidar com situações, sentimentos e várias outras questões.

A auto-piedade, sentimentos de pena e de culpa atrapalham o tratamento de um dependente químico, comprometendo as chances de sucesso nas tentativas de livrá-lo do vício. É comum pais e companheiros de dependentes desenvolverem um comportamento nocivo por não fazerem uma “aliança profunda” de comprometimento com o tratamento e acompanhamento do dependente e, assim sendo, comprometem todo o tratamento minando as chances de recuperação do paciente.

Nossa equipe é formada, essencialmente, por profissionais da área da saúde: como psicólogos, psiquiatras, clínico geral, além de monitores e terapeutas com grande experiência no tratamento da dependência química, professor de educação física, terapeuta ocupacional, enfermeira e nutricionista.

Negação de dependência química é um dos maiores obstáculos iniciais ao tratamento Nem todos os indivíduos que fazem uso inadequado de substâncias psicoativas reconhecem que têm um problema.

Logo, esse usuário deverá ser abordado pelo profissional especializado, o qual tentará mostrar as evidências do mau uso e das negativas consequências, motivando-o para uma tomada de decisão.

Durante a fase inicial do tratamento, geralmente, o paciente deverá modificar seu estilo de vida, evitar quaisquer situações ou pessoas que lhe favoreçam o consumo das substâncias,seguir adequadamente as orientações médicas. A abstinência completa é, em geral, o objetivo do tratamento.

Na verdade não existem culpados, pois a dependência química é uma doença. Este sentimento de culpa, só serve para bloquear o diálogo e impedir ou adiar o tratamento fazendo com que a família e o paciente percam o foco e se agridam mutuamente. Não se pode simplesmente definir a dependência química como “mau-caratismo” ou um desejo simples e incontrolável de saciar suas próprias vontades.

Que vontades são essas? De onde vêm? É possível que se controle?Geralmente a família perde muito tempo procurando culpados e até mesmo para admitir que exista um problema com drogas dentro de sua casa. Perde-se tempo procurando culpados, pois há o estigma que é necessário descobrir de quem é a culpa para que se possa encarar o problema. Por isto muitas vezes a família acaba “fechando os olhos” para o problema e acaba culpando: “o pai ausente”, “os amigos”, “o vizinho”, o governo, a sociedade e qualquer outro que possa ter influência sobre aquela “frágil pessoa dependente”. Só se toma ação quando não é possível mais esconder o problema de ninguém, quando o problema se tornou visível a todos, e resolve-se aceitar que não adianta ficar buscando culpados.

É preciso haver disposição para uma mudança de atitude, uma relação mais saudável por parte da família, contribuindo para a mudança de comportamento do paciente. A dependência química é uma doença comportamental e se não for tratada ela se torna uma doença fatal e progressiva.

Normalmente a família, que é co-dependente, alimenta o “luto” todos os dias, sente pena de si mesma, se “vitimiza” e não quer enxergar que a vida continua, quer o seu familiar use drogas ou não.

Este luto, é o luto do mito de que o seu filho não é aquilo que você sonhava, não é um troféu, apesar de você tê-lo criado para ser o melhor. O co-dependente precisa elaborar o luto e suas perdas para poder mudar seus comportamentos, eliminar mecanismos de defesa e ter consciência que não é atacar o dependente químico mas sim enfrentar com força, e coragem o seu problema.

Procurar ajuda é a melhor solução! Ame-se em primeiro lugar e ame o seu familiar, não desista, existe recuperação, busque ajuda para ele e para você mesmo!

Complicações psiquiátricas podem aparecer enquanto a pessoa faz uso ativo da substância e mesmo após um tempo considerável de abstinência. Entre elas, destacam-se a depressão e quadros de ansiedade, tais como transtorno do pânico e ansiedade generalizada. Quadros psicóticos semelhantes à esquizofrenia (delírios/alucinações) podem ocorrer de forma aguda durante o consumo (desaparecendo completamente após tratamento específico), ou permanecer indefinidamente.

Essa última situação é mais comum em indivíduos que já eram predispostos à doença, sendo o consumo de drogas o fator desencadeante de sua emergência.

As complicações psiquiátricas após a interrupção do consumo podem estar relacionadas a sintomas de abstinência tardios que deixam o indivíduo ansioso e inquieto. Pode haver, ainda, transtornos psiquiátricos anteriores e independentes do consumo de drogas, mascarados ou potencializados pelo uso de drogas ou pela síndrome de abstinência. Por isto, é importante que o tratamento envolva sempre o acompanhamento da equipe médica.

Aqueles que decidem consumir uma droga estão fazendo uma opção, uma escolha. É claro que muitos fatores contribuíram para que tal escolha se desse (as angústias da vida, a simples curiosidade, a influência de amigos, a vontade de buscar um jeito novo de divertir...). Mas, a escolha, no final, foi da pessoa.

Continuar usando drogas também é uma opção, porém com o passar do tempo isto deixa de ser uma escola... Isso porque o organismo vai se adaptando à presença da droga. Vai havendo modificações no cérebro. Quando o indivíduo fica sem a droga, passa a se sentir mal, desconfortável, irritado, deprimido, ansioso. O dependente acha que o único alívio possível é a continuidade do consumo. Conforme a dependência vai se instalando, o indivíduo passa a abrir mão de coisas que antes eram muito importantes para ela. É o momento em que aparecem as brigas e discussões com a família, a piora no desempenho escolar, a venda de objetos para comprar drogas. Tudo passa a girar em torno do consumo de drogas.

A partir desse ponto, o indivíduo não consegue mais ficar sem usar drogas. Não há mais OPÇÃO: a pessoa não escolhe se vai usar drogas ou não. A doença lhe tirou essa liberdade. QUALQUER DOENÇA PSÍQUICA CONSISTE ACIMA DE TUDO NA PERDA DA LIBERDADE DE ESCOLHA. Portanto, a dependência não é uma opção. É uma condição patológica (uma doença) que tira a liberdade do indivíduo de optar!

Perceber a presença da doença e se responsabilizar pelo tratamento é o primeiro passo em direção à recuperação. É preciso escolher a mudança e buscar ajuda para efetiva-la. Não resolve olhar o passado para achar um culpado. Deve-se pensar no futuro! Não existem culpados pela situação. Mas pode haver pessoas comprometidas com o processo de cura (o próprio dependente, sua família, os amigos, os profissionais da saúde).

Em geral, os dependentes químicos guardam uma longa história de abstinências e recaídas, principalmente quando tentam parar de utilizar droga sozinhos. Não é impossível parar sozinho, porém existem chances bem maiores de sucesso quando o dependente químico está amparado por uma equipe multidisciplinar, pois receberá todas as ferramentas necessárias para manter a abstinência e dos mecanismos de prevenção à recaída.

Além do processo terapêutico que passa durante a internação, nós trabalhamos a reconstrução geral do indivíduo (que via de regra acabou sendo devastado em todos os sentidos pela droga) quando ele irá começar a recuperar sua auto-estima e eliminar ressentimentos, culpas e outros sentimentos que o levam para o abismo.

O dependente químico que passa por um tratamento sério e bem estruturado passa por várias abordagens terapêuticas obtendo várias experiências – o que o leva a um desenvolvimento psicológico para vencer as drogas, ocorrendo uma mudança sistemática de comportamento e conhecimento sobre a sua doença.

É muito comum vermos pessoas que passam por tratamento relacionado à dependência química (e que muitas vezes ficam muitos anos limpos) voltarem ao consumo de drogas – por que isto acontece?

Primeiramente, as recaídas devem ser vista também como parte do processo da dependência química, desta forma, não há necessidade de desesperança nem dos que são dependentes químicos ou mesmo dos familiares.

As recaídas são a pratica do confronto entre a realidade da vida com a realidade da dependência particular de cada um. O resultado está certamente no que quer o dependente para sua vida já de posse de todo conhecimento e estrutura psicológica existente em seu consciente. Muitas vezes as recaídas ocorrem pela falta de observação dos sinais de risco, por comportamentos inadequados, pelo tratamento inadequado ou incompleto, pelo não envolvimento da família no tratamento, enfim diversos motivos podem levar ao processo de recaída.

Durante o processo de tratamento na Grand House o paciente receberá o Plano de Prevenção a Recaída que o ajudará a identificar as situações de alto risco e as estratégias de manejo  disponíveis.

 

O paciente aprende a identificar sinais de alerta precoces das situações potenciais de recaída e desenvolve as habilidades e necessárias de enfrentamento, a fim de conseguir modificar suas crenças e expectativas acerca de seu comportamento aditivo.

Quando o dependente desiste do tratamento, as principais dificuldades serão: postura da família, aceitação da decisão tomada, interrupção do processo de auto-conhecimento, mais uma vez começar algo e não terminar, ter que enfrentar situações de risco sem estar adequadamente preparado, despreparo da família em recebê-lo, etc. A família não deverá apoiar esta decisão e deverá buscar orientação dos profissionais envolvidos.

Muitas famílias, penalizadas com o dependente, tomam a atitude de interromper o tratamento, acreditando, já nos primeiros sintomas de recuperação, que o usuário está totalmente livre das drogas. Porém, tenha em mente que a dependência química é uma doença grave e incurável, porque a recaída é sempre um risco eminente.

Quando uma família tem um dependente químico, precisa entender que ela toda está doente, ela toda precisa de acompanhamento. Por isto é importante que a família tenha aderência a terapia familiar para que saiba tomar a atitude correta em situações como esta, para não comprometer a recuperação do seu familiar através do apoio de uma atitude incorreta por parte do dependente químico.

Em nossa longa experiência com dependentes químicos e seus familiares constatamos que não existe ninguém sem recuperação. Acreditamos que existem sim pessoas que, infelizmente, não encontraram o seu caminho.

Todos podem ser ajudados e o maior recurso é o amor, porém nem todos conseguem ser ajudados. Temos que estar preparados, portanto, para quem não quer a recuperação.

No entanto, não podemos nunca desistir! Acreditar, amar e ter esperança é um componente de grande ajuda no processo, pois muitas vezes até aquele que não quer a recuperação e que se vê muitas vezes “forçado” pela família a fazer um tratamento acaba aderindo e vendo que aquela intervenção acabou salvando sua vida já que sozinho não conseguiria nunca parar.

A nossa proposta terapêutica é trabalhar as questões emocionais e espirituais dos dependentes químicos, utilizando as mais recentes técnicas objetivas de avaliação e reeducação comportamental, através de abordagens cognitivas, o que aumenta as chances de recuperação.

O nosso programa terapêutico, parte fundamental do tratamento, está alicerçado no que há de mais moderno em técnicas e dinâmicas terapêuticas, buscando resgatar valores éticos, familiares e emocionais, para motivar o paciente a refazer seu projeto de vida, adotando assim hábitos saudáveis e produtivos.

Muitos casos de recaídas ou insucesso nos tratamentos estão relacionados ao não tratamento adequado das possíveis comorbidades (que necessitam de acompanhamento médico) e dos aspectos comportamentais, assim também como a não aderência da família ao tratamento.

O número de recaídas de dependentes que passam por internação e que não dão continuidade ao tratamento em grupos de apoio acaba sendo considerável, por outro lado temos centenas de indivíduos que terminaram o período de internação, deram sequência ao tratamento e estão limpos há muitos anos e vivendo uma vida normal.

Para auxiliar no processo de manutenção da abstinência e prevenção a recaída a Clínica Grand House oferece o tratamento ambulatorial após o período de internação com psicólogo e completando o ciclo de tratamento de 1 ano. Após este período de 1 ano, o paciente continua frequentando os grupos de ex pacientes (sem custo adicional) pelo resto da vida.

Enquanto muitos param e acabam tratando o dependente químico como um caso perdido, nós continuamos levando conscientização e mostrando que existe, sim, uma saída para o usuário de drogas – já que temos como objetivo primordial o tratamento e a reabilitação psicossocial do indivíduo cuja vida foi destruída pela dependência do álcool e outras drogas.